“VOCÊ VAI MORRER” por Alexandre Jazara

07 - Poema "VOCÊ VAI MORRER" por Alexandre Jazara - Pílulas de Poesia

Pílulas de Poesia trazem para você…

Poema “VOCÊ VAI MORRER” por Alexandre Jazara, conheça a partícula da alma deste poeta, que será compartilhada mensalmente com todos nossos leitores.

VOCÊ VAI MORRER.

Caminhava por aí,
Vivendo sem conduta,
A vida em labuta,
Contra todos e contra mim.

Dobrando esquinas,
Cruzando os dias,
Passando na vida,
Causando feridas.

Me enchia de mim,
Abandonava o outro,
Era pele e couro,
Negritude sem fim.

Me achava o melhor,
Em pedestal ficava,
Ostentando títulos,
Achando que marcava.

Mas um dia confuso,
Me deparei com o capuz,
Em sua mão a ceifadeira,
Senti a tremedeira.

“Olá, como vai?
Sabe quem sou?
Acredito que sim,
Sinto toda sua dor….

Veja só este momento,
Toda a dor e sofrimento,
Que carrega em seu caminho,
Que leva em seu coração…

De que ainda tantos nomes e fardas,
Títulos, diplomas e serenatas,
Troféus, medalhas e fotos,
E ter tantos devotos?…”

Em meu ser eu senti,
Um medo que nunca vi,
Do ser que estava em minha frente,
Que conhecia meu corpo e mente.

Então um turbilhão,
De pensamentos e palavras,
De vozes e rostos,
De lugares e casas.

Uma grande confusão,
Que nunca percebi,
Sangue em minhas mãos,
Dos corações que parti.

Então aquele ser,
Fenestro se aproximo,
Sua mão esticou
E meu coração arrancou…

“Veja só este carvão,
Que tenho em minhas mãos,
Tanto tempo e tantas feridas,
Feitas e recebidas…

Vejo também,
Tristezas e desfeitas,
Entalhadas, quase perfeitas,
Encrustadas por aqui….

E como é pesado,
Tudo aquilo que alega,
Tudo aquilo que carrega,
E o desespero que te gera…”

Então cada voz e cada rosto,
Ganhou seu próprio corpo,
Daqueles com quem vivi,
Dos que amei e trai.

Lágrimas e tristezas,
Que viviam em meu peito,
Que não via direito,
A cegueira que fiz a mim.

Então minha espinha gelou,
O nó na garganta apertou,
E o tempo me tocou,
Como um trem me atropelou.

“Olhe só, só agora percebeu,
O tanto que não viveu,
Todos que esqueceu,
Para mostrar somente seu eu…

Não tente esconder nada,
Tenho toda o dia e madrugada,
Para vasculhar sua alma,
E lhe contar que é…”

Então compreendi,
O que se passava ali,
Era aquele o meu fim,
Mas eu mal envelheci.

“Você vai morrer!!!”
Mas não estou doente…
“Você vai morrer!!!”
Não estou demente…
“Você vai morrer!!!”
Tenho a agenda preenchida…
“Você vai morrer!!!”
Não encontrei minha guarida…
“Você vai morrer!!!”

Em teus olhos vi a chama,
Da vida e da morte a duelar,
O tempo que não pode parar,
E o começo com o fim sempre a chega.

Então o tempo parecia parar,
Tocado pelo vento, parecia levitar,
Ouvido a vida a me rodear,
E tudo o que deixei de apreciar.

“Vejam só se não vejo,
O pedido e o desejo,
De voltar por um instante,
Em cada momento em cada amante…

O entendimento de tentar remendar,
Tudo aquilo que se fez faltar,
Em tudo que refletiu de egoísmo herdado,
E o que escolheu de caminho errado…

Acorde, este é o fim do seu momento,
Acaba-se aqui cada pensamento,
E toda dor que você já sentiu,
Todo amor que já partiu…”

Mas e se… se eu…
“Nada de se… acabou”
Mas eu poderia…
“Não pode… não mais…”
Mas que queria…
“Não quis… não quer mais…”

Ergueu seu instrumento,
Cortando o vento,
Que espreitava na escuridão,
E soprava a emoção.

Em lentidão vi a lâmina chegar,
A luz lentamente se apagar,
Os olhos a se fechar,
Enfim o fim chegar…

Então acordei…
Encharcado de suor…
Olhei tudo ao meu redor…
Com olhos de chamas no canto a sumir.

O dia chegou,
Mais vida restou,
O momento para sentir,
E tudo reincidir…

Não… Não posso…
Tenho muitos SE…
Tenho pouco de mim…
Não tenho nada por mim…

Troféus e medalhas,
Metais a estragar…
Diplomas e títulos,
Papéis a mofar.

Será que ainda posso,
Corações concertar?
Será que ainda posso,
Em suas boas memórias estar?

Nem todas as vidas,
Poderei consertar,
Serei perdoado,
Poderei fazer reparos.

Mas hoje eu posso rever,
Eu posso sofre e entender,
A dor que recebi e reparti,
Todo o mau que já fiz.

Não sei quantos dias,
Ou horas ainda há,
Mas os passos tenho que dar,
Para realmente mudar.

Aquele ser vive a me observar,
Vai uma hora realmente me tocar,
Toda minha alma esmiuçar
E o meu coração vai pesar.

Mas no próximo encontro,
Eu quero estar pronto,
Sem os SE reviver,
Sem tantas vozes a me remoer.

Te aconselho, a esta voz escutar,
Para dentro de si então olhar,
Ao seu redor observar,
E os amargores tentar adoçar.

Não faça isto apenas por si,
Mas entenda tratará também a ti,
Pois o fato não tem salvação,
Da eterna sentença que temos então.

“Você vai morrer!!!”

Um conto Por Alexandre Jazara

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01-06-2019 – 23:57

Quem é Alexandre Jazara?

Alexandre Jazara de Oliveira Jasa, nascido em 23 de maio de 1984 em São Paulo – SP, desde pequeno já mostrava interesse nas mais diversas formas de arte. Aprendeu seus primeiros traços com seu pai, que o influenciaria na arte da escrita. Este amor pela arte estendeu-se pela música e suas variantes.

Veja sua biografia através deste link:
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